Santíssimo Nome de Maria
Identificação
Santíssimo Nome de Maria não é a memória de um santo, mas uma observância litúrgica mariana — memória facultativa (ranking II) celebrada em 12 de setembro, evocando o amor incomparável de Nossa Senhora por seu Filho e propondo aos fiéis a figura da Mãe do Redentor para ser piedosamente invocada.
História da Observância
A festa do Santíssimo Nome de Maria foi instituída pelo Beato Papa Inocêncio XI, em ação de graças pela vitória que os cristãos obtiveram sobre os turcos diante de Viena, na Áustria, sob a proteção de Nossa Senhora — inicialmente celebrada no domingo dentro da oitava da Natividade de Nossa Senhora, e depois fixada em 12 de setembro.
O histórico dessa vitória: em 1682, a Alemanha, dividida internamente, viu-se ameaçada pelos turcos por causa da aliança entre protestantes húngaros revoltosos, liderados pelo conde Tekeli, e os otomanos. No verão de 1683 um exército turco de duzentos mil homens, sob o Grão-Vizir Cara Mustafá, cercou Viena por seis semanas, bombardeando a cidade sem trégua, enquanto a fome e a doença devastavam seus habitantes — que resistiram, sob o governador Stahremberg, recusando-se a render-se.
O imperador Leopoldo I, incapaz de socorrer a capital sozinho, pediu auxílio ao rei da Polônia, João Sobieski, já célebre por vitórias anteriores contra turcos e tártaros. O Beato Inocêncio XI, por meio do núncio Pallavicini, empenhou-se em convencer a Polônia a socorrer a cristandade, oferecendo garantias e adiantando somas consideráveis para os primeiros armamentos. Em 12 de setembro de 1683, um domingo, o exército imperial, as tropas dos príncipes alemães e a cavalaria polonesa de Sobieski atacaram o cerco turco; ao entardecer, o exército otomano estava destroçado, deixando no campo mais de dez mil mortos e trezentas peças de artilharia. Sobieski, primeiro a entrar na tenda do Grão-Vizir, escreveu à noite à esposa relatando a vitória; visitou depois a capela de Nossa Senhora de Loreto na igreja dos Agostinhos, prosternando-se em ação de graças e entoando o Te Deum.
Recebendo de Sobieski o principal estandarte tomado aos turcos — acompanhado das palavras Vim, vi e venci —, o Beato Inocêncio XI mandou-o levar, durante um mês, de igreja em igreja, e instituiu, em memória perpétua da libertação de Viena, a festa do Santíssimo Nome de Maria.
Na reforma litúrgica pós-conciliar a memória foi suprimida do Calendário Romano Geral de 1969, sendo restaurada como memória facultativa na edição típica do Martirológio Romano de 2004, no dia 12 de setembro — coincidindo com o dia histórico da vitória de Viena.
Elogio do Martirológio
Santíssimo Nome da Virgem Santa Maria. Neste dia se evoca o inefável amor da Mãe de Deus para com o seu santíssimo Filho e se propõe aos olhos dos fiéis a figura da Mãe do Redentor para ser piedosamente invocada. — Martirológio Romano, 12 de setembro
Fontes
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — dia 09-12, ordem 1, memória facultativa (ranking II), elogio PT/IT/LA.
- Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 16 PG 154-160, seção “Santo Nome de Maria” — narrativa completa da instituição da festa pelo Beato Inocêncio XI em ação de graças pela vitória de Viena de 12 de setembro de 1683, incluindo o cerco turco, a intervenção de João Sobieski e o papel do Papa na mobilização da Polônia.
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/09-setembro/12
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004
