Beata Hossana Andreasi

Também conhecido como Osanna Andreasi, Osanna de Mântua, Hossana de Mântua, Beata Osanna Andreasi

Identificação

Beata Hossana Andreasi — virgem, terciária da Ordem Terceira de São Domingos, mística e conselheira espiritual da corte dos Gonzaga em Mântua. Nascida em 17 de janeiro de 1449 em Carbonara di Po; falecida em 18 de junho de 1505 em Mântua.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Mântua, na Lombardia, região da Itália, a Beata Hossana Andreási, virgem, que, tomando o hábito das Irmãs da Penitência de São Domingos, associou com admirável sabedoria a contemplação das realidades divinas com as ocupações terrenas e a prática das boas obras.

Original italiano

A Mantova, beata Osanna Andreasi, vergine, che, vestito l’abito delle Suore della Penitenza di San Domenico, unì con mirabile sapienza la contemplazione delle cose divine con le occupazioni terrene e la cura delle buone opere.

Vida

A nobre mantuana e a vocação dominicana leiga

A Beata Hossana Andreasi nasceu em 17 de janeiro de 1449 em Carbonara di Po, então pertencente ao território de Mântua, filha do nobre Niccolò Andreasi — de família de origem húngara — e de Agnese Gonzaga. Segundo o relato hagiográfico transmitido por Rohrbacher, Hossana Andreasi pertencia a uma família nobilíssima instalada num palácio esplendoroso, e desde a infância se distinguia pela piedade e pela humildade.

Aos quinze anos, vencendo a resistência inicial do pai, que se opunha às leituras religiosas da filha, Hossana Andreasi recebeu o hábito da Ordem Terceira de São Domingos — as chamadas Irmãs da Penitência de São Domingos. Ela não ingressou num convento de clausura, mas viveu no século como terciária dominicana, com as obrigações do ofício divino e a observância da regra da ordem. Rohrbacher narra que, impedida pelo pai de ler obras sagradas, a Beata recorreu à oração e que, segundo a tradição, Nossa Senhora a instruiu pessoalmente, de modo que dominou o latim e chegou a conhecer solidamente as Sagradas Escrituras e os Padres da Igreja.

Por quase quatro décadas a Beata Hossana Andreasi viveu como noviça de fato. Só em 1501 — quando já rondava os cinquenta anos — fez sua profissão solene, completando assim, formalmente, o vínculo com a Ordem Terceira que cultivara na prática desde a adolescência.

A vida mística

A tradição hagiográfica associa à Beata Hossana Andreasi uma intensa vida interior, marcada por visões místicas desde a infância mais tenra. Rohrbacher registra que, aos seis anos, passeando às margens do Pó, ela ouviu uma voz que lhe dizia: “Menina, a vida e a morte consistem em amar a Deus” — e que, segundo o relato, foi arrebatada por um anjo e contemplou o Paraíso.

Em 1477, segundo a tradição, a Beata Hossana Andreasi recebeu os estigmas: marcas na cabeça, no lado, nas mãos e nos pés em conformidade com a Paixão de Cristo. Esses sinais, segundo os relatos, não eram feridas abertas e sangrantes, mas marcas visíveis de cor avermelhada. A sua vida era marcada por êxtases frequentes, especialmente às quartas-feiras e sextas-feiras, em memória da Paixão. Tais fenômenos eram tidos pelos contemporâneos como manifestações sobrenaturais, e a fama de santidade de Hossana Andreasi se difundiu rapidamente em Mântua e além de seus muros.

A influência espiritual na corte dos Gonzaga

A partir de 1480, a Beata Hossana Andreasi estreitou sua relação com a corte dos Gonzaga, marqueses de Mântua, e tornou-se conselheira espiritual de Francisco II Gonzaga e de sua esposa, a marquesa Isabella d’Este, uma das figuras mais cultas do Renascimento italiano. Essa singular posição — uma terciária dominicana, leiga, mulher, tornada conselheira de Estado e guia espiritual de uma das cortes mais refinadas da Itália — testemunha o reconhecimento que seus contemporâneos faziam da profundidade de sua sabedoria e da autenticidade de sua vida espiritual.

A tradição local de Mântua conserva a narrativa segundo a qual as orações da Beata Hossana Andreasi intercederam pela preservação de Francisco II durante a batalha de Fornovo (1495). Ela deixou também uma volumosa correspondência epistolar — as chamadas Lettere — reconhecida pelo próprio Rohrbacher como escrita “no mais puro e cantante italiano”, e dialogos espirituais conhecidos como Colloqui Spirituali, redigidos em colaboração com seu biógrafo, Dom Jerônimo de Monte Oliveto.

Morte e culto

A Beata Hossana Andreasi faleceu em Mântua no dia 18 de junho de 1505, na presença de Francisco II Gonzaga e de Isabella d’Este. Seu corpo foi sepultado na igreja de São Domingos, onde recebeu mausoléu lavrado pelo escultor Giancristoforo Romano. Séculos depois, com a transformação da igreja em estabelecimento militar, os despojos mortais da Beata foram transferidos para a catedral de Mântua, onde repousam até hoje no transepto esquerdo. Rohrbacher registra que o corpo se encontrava intato após quatrocentos anos.

O culto prestado à Beata Hossana Andreasi em Mântua foi aprovado pelo Papa Leão X em 8 de janeiro de 1515, menos de dez anos após sua morte. A confirmação formal do culto — equivalente, na prática canônica da época, a uma beatificação — foi outorgada pelo Papa Inocêncio XII em 24 de novembro de 1694. O Martirológio Romano de 2004 a inscreve no dia 18 de junho, marcada com asterisco (*), indicando sua qualidade de beata expressamente reconhecida pela edição.

Referências

  • Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — entrada do dia 18 de junho, n. 7 (texto canônico em PT e IT reproduzidos acima). Fonte primária desta ficha.
  • Rohrbacher, R. F.Vidas dos Santos, vol. 11, pp. 38-40 (edição brasileira, PT). Entrada: “Bem-aventurada Osana de Mântua, Virgem”. Fonte secundária em português; fornece relato da infância, vocação, vida mística, profissão e morte.
  • Wikipedia ENOsanna Andreasi (consultada 2026-05-28, idioma: inglês). Dados biográficos complementares: datas, família, estigmas, relação com Isabella d’Este, obras escritas.
  • Wikipedia ITOsanna Andreasi (consultada 2026-05-28, idioma: italiano). Confirmação de datas, lugar de nascimento (Carbonara di Po), aprovação do culto por Leão X (1515) e beatificação por Inocêncio XII (1694).
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