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São Quirino de Siscia

Também conhecido como Quirino de Sescia, Quirinus, Quirinus of Sescia, Quirinus von Siscia

Identificação

São Quirino de Siscia (†c. 309) — bispo de Siscia na Ilíria (atual Sisak, Croácia) e mártir durante a perseguição de Galério. Preso por recusar-se a apostatar, foi transferido para Savária (atual Szombathely, Hungria) e condenado à morte por afogamento com uma pedra de moinho presa ao pescoço. Seu martírio é atestado por Eusébio de Cesareia, celebrado em hino por Prudêncio e elogiado por São Jerônimo.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em Savária, na Panónia, hoje Szombathly, na Hungria, a paixão de São Quirino, bispo de Siszeck, na Ilíria, e mártir, que, no tempo do imperador Galério, por causa da sua fé em Cristo, foi lançado ao rio com uma grande pedra ligada ao pescoço.

Vida

O bispo de Siscia na perseguição de Galério e Diocleciano

São Quirino nasceu em Siscia — chamada pelos latinos Siscia e conhecida em seu tempo como Siszeck, hoje Sisak, na Croácia — cidade importante da Ilíria romana à margem do rio Sava. Era bispo dessa diocese quando, em 303, o édito de Nicomédia desencadeou a última e mais cruel das perseguições imperiais romanas contra os cristãos, ordenada por Diocleciano e continuada com vigor por seu co-imperador Galério.

Por volta do ano 309, São Quirino foi preso por um magistrado municipal de Siscia — possivelmente o curador da cidade. Submetido a um primeiro interrogatório e recusando negar a fé, foi enviado a Amâncio, governador da Panônia Prima, que o encaminhou à capital provincial: Savária (atual Szombathely, no ocidente da Hungria). Ali, pressionado a apostatar publicamente, o bispo permaneceu inabalável. Segundo o relato transmitido por Rohrbacher com base nas fontes latinas, São Quirino respondeu a seus juízes afirmando que os cristãos não temem o sofrimento, mas a negação de Cristo.

Durante a prisão, a tradição registra que São Quirino converteu à fé cristã o carcereiro Marcelo.

A prisão, o julgamento e o martírio por afogamento em Savária

Condenado à morte, São Quirino foi levado ao rio. Com uma pesada pedra de moinho (mó) atada ao pescoço, foi lançado ao rio Sibaris — identificado modernamente com o Gyöngyös, afluente do Rába que atravessa a planície da Panônia na região de Savária. Era o dia 4 de junho de 309.

Os relatos hagiográficos, reunidos por Thierry Ruinart nos seus Acta Martyrum Sincera, preservam um elemento que as fontes antigas tratam como milagre: o corpo de São Quirino não afundou de imediato; segundo a tradição, o bispo continuou a rezar e a exortar os presentes por algum tempo sobre as águas antes de submergir. Este dado, que estudiosos modernos classificam como elemento legendário das acta, não compromete a historicidade do martírio em si, atestada de modo independente por Eusébio de Cesareia.

O corpo, depois de encontrado no rio ou nas suas margens, foi recolhido por cristãos locais e enterrado com devoção — segundo algumas fontes, inicialmente nas proximidades de Sopron (na atual Hungria).

Veneração antiga, relíquias e difusão do culto

A memória de São Quirino difundiu-se rapidamente no mundo latino. Prudêncio (348–c.413), o maior poeta cristão do século IV, dedicou-lhe um hino no seu Peristephanon (“Coroa dos Mártires”), o que demonstra que o culto do bispo de Siscia era conhecido e venerado na Hispânia no final do século IV. São Jerônimo (c.347–420), no seu De Viris Illustribus e em outros escritos, teceu elogios ao santo mártir.

Com as invasões bárbaras que devastaram a Panônia nos séculos V e VI, as relíquias de São Quirino foram transladadas para Roma pelos cristãos que fugiam. Depositadas no Mausoléu Platônia, câmara adjacente à Basílica de São Sebastião fora dos Muros (San Sebastiano fuori le mura), na Via Ápia — a três milhas de Roma —, uma inscrição colocada junto ao túmulo proclamava a obra de quem realizou a trasladação. A cerimônia foi celebrada solenemente. Rohrbacher registra a inscrição que dizia: “Esta obra é nossa, este trabalho foi executado…”

No século IX, o Papa Gregório IV ofereceu relíquias de São Quirino a Correggio (Emília-Romanha). Ao longo da Idade Média, relíquias foram distribuídas por Milão, Aquileia e Tívoli.

Em 4 de junho de 1543, durante a guerra entre Carlos V e Francisco I da França, a cidade de San Marino atribuiu a São Quirino sua proteção quando, segundo o relato local, uma espessa neblina impediu o avanço das tropas inimigas no dia da sua festa. A república passou a venerá-lo como padroeiro, erguendo-lhe uma igreja na capital por volta de 1550.

Na Croácia, a memória do bispo mártir permaneceu viva: a nova Diocese de Sisak, criada em 2009, adotou São Quirino como padroeiro, e uma basílica em sua honra foi consagrada em Sisak em 2003. A ilha de Krk, na costa adriática croata, também o venera.

Na iconografia, São Quirino de Siscia é representado com vestes episcopais e a pedra de moinho — atributo que recorda o instrumento do seu martírio.

Referências

  • Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — entrada de 4 de junho
  • Rohrbacher, René-François. História Universal da Igreja Católica, vol. 10. Tradução portuguesa. São Quirino, bispo e mártir, pp. 22–23.
  • Prudêncio. Peristephanon (hino ao mártir Quirino de Siscia), século IV.
  • Eusébio de Cesareia. História Eclesiástica, séc. IV.
  • Ruinart, Thierry. Acta Martyrum Sincera, Paris, 1689.
  • Wikipedia (EN): Quirinus of Sescia — https://en.wikipedia.org/wiki/Quirinus_of_Sescia
  • Wikipedia (DE): Quirinus von Siscia — https://de.wikipedia.org/wiki/Quirinus_von_Siscia
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