Beatos Roberto Thorpe e Tomás Watkinson

Também conhecido como Roberto Thorpe, presbítero, Tomás Watkinson, leigo, Mártires de York (1591)

Identificação

Beatos Roberto Thorpe e Tomás WatkinsonRoberto Thorpe, presbítero, e Tomás Watkinson, pai de família e leigo — foram mártires da fé católica em York, Inglaterra, condenados à morte sob a rainha Isabel I e executados em 31 de maio de 1591. O primeiro pagou com a vida por ser sacerdote católico; o segundo, homem idoso e chefe de família, por acolher sacerdotes em sua casa. Beatificados em 22 de novembro de 1987 por São João Paulo II, integram o grupo dos 85 Mártires da Inglaterra e País de Gales. A Igreja celebra sua memória em 31 de maio.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Em York, na Inglaterra, os beatos mártires Roberto Thorpe, presbítero, e Tomás Watkinson, que, no reinado de Isabel I, foram condenados à morte: o primeiro, porque era sacerdote e o segundo, pai de família já ancião, porque muitas vezes prestou auxílio aos sacerdotes; ambos receberam ao mesmo tempo no patíbulo a coroa do martírio.

Vida

A perseguição isabelina em York

O reinado de Isabel I (1558–1603) foi, para os católicos ingleses, um tempo de provação e sangue. A chamada legislação penal isabelina tornava traição capital o simples fato de um sacerdote ordenado em Roma ou no continente pisar em solo inglês; e crime grave — frequentemente punido com a morte — acolher ou auxiliar esses sacerdotes. A cidade de York, capital do norte da Inglaterra, foi palco de inúmeros martírios ao longo das décadas de perseguição, e deu nome a uma das mais ricas linhagens de testemunhos da fé católica inglesa desse período.

Beato Roberto Thorpe — o padre

Roberto Thorpe nasceu por volta de 1560 em Yorkshire. Seguindo o caminho de muitos jovens católicos ingleses que não podiam estudar nem ser ordenados na própria terra, partiu para o continente e chegou ao Colégio Inglês de Reims em 1 de março de 1583. Após dois anos de formação, foi ordenado diácono em dezembro de 1584 e presbítero em abril de 1585, das mãos do Cardeal Luís de Guise. Em 9 de maio de 1585, foi enviado à missão inglesa, retornando clandestinamente ao seu país para servir os católicos que sobreviviam na clandestinidade em Yorkshire.

Por anos exerceu esse ministério arriscado — celebrando a Missa em casas particulares, administrando os sacramentos, fortalecendo a fé de uma comunidade perseguida. Foi preso numa manhã de Domingo de Ramos na casa de Tomás Watkinson, em Menthorpe (East Yorkshire), depois de alguém denunciar a reunião ao juiz local. Conduzido a York, foi condenado como traidor simplesmente por ser sacerdote católico ordenado no exterior.

Beato Tomás Watkinson — o leigo que acolhia sacerdotes

Tomás Watkinson era um homem casado, pai de família, natural de Menthorpe, na East Yorkshire. Católico fiel, mantinha sua casa como refúgio para os sacerdotes que percorriam a região em missão clandestina. A legislação isabelina criminalizava esse gesto de hospitalidade cristã: acolher um sacerdote equivalia, perante a lei inglesa, a ser cúmplice de traição.

Idoso já quando foi preso, Tomás Watkinson foi condenado como felão por ter prestado auxílio a sacerdotes. As fontes registram que lhe foi oferecida a vida caso renunciasse à fé e passasse a frequentar os cultos anglicanos — oferta que recusou. Preferiu morrer a apostatar.

O martírio comum (31 de maio de 1591)

Beato Roberto Thorpe e Beato Tomás Watkinson foram executados juntos em York, em 31 de maio de 1591, pelo método então usual para condenados por crime de traição: enforcamento, esquartejamento e evisceração (hanged, drawn and quartered). O Martirológio Romano sublinha que «ambos receberam ao mesmo tempo no patíbulo a coroa do martírio» — padre e leigo, unidos na mesma confissão de fé, partilhando o mesmo destino.

A beatificação de 1987

Quatrocentos anos depois de seu martírio, São João Paulo II beatificou Roberto Thorpe e Tomás Watkinson em 22 de novembro de 1987, integrando-os no grupo dos 85 Mártires da Inglaterra e País de Gales — uma das mais numerosas beatificações coletivas de mártires ingleses da era moderna. A celebração reconheceu, de forma solene, que tanto a vocação sacerdotal quanto a fidelidade leiga têm dignidade de martírio: morre como mártir não só o padre que celebra a Missa proibida, mas também o cristão comum que lhe abre a porta.

Referências

Selo · coleção REGRAA fé que se veste.Quero a minha →

Corrigir ou completar esta ficha

Sua ajuda mantém o martirológio fiel. Conte o que encontrou — uma data, um nome, uma fonte — e nós verificamos.

Coleção REGRA — seloAproveitar: de R$ 119 por R$ 89,90 →