Beato Rúpert Mayer
Também conhecido como Ruperto Mayer, Rupert Mayer, SJ, Padre Mancando (Der Pater mit dem Holzbein)
Identificação
Beato Rúpert Mayer (1876–1945) foi sacerdote da Companhia de Jesus, capelão militar condecorado na Primeira Guerra Mundial e um dos mais firmes opositores públicos do regime nazista em Munique, onde pregava e assistia migrantes desde 1912. Preso repetidas vezes por recusar-se a calar-se do púlpito, foi por fim deportado ao campo de concentração de Sachsenhausen e depois confinado sob vigilância na Abadia de Ettal até o fim da guerra. O Martirológio Romano o comemora em 1 de novembro, data da sua morte; São João Paulo II o beatificou em 3 de maio de 1987, em Munique.
Vida
O Beato Rúpert Mayer nasceu em 23 de janeiro de 1876, em Stuttgart, um dos seis filhos de uma família católica. Estudou filosofia e teologia em Munique, Tübingen e Friburgo (Suíça); a pedido do pai, ordenou-se primeiro sacerdote diocesano, em 1899, servindo um ano como coadjutor em Spaichingen. No ano seguinte ingressou no noviciado da Companhia de Jesus em Feldkirch. Após a formação, dedicou-se de 1906 a 1911 a estudos e pregação missionária por paróquias do noroeste europeu, sendo transferido em 1912 para Munique, onde passou a atender sobretudo os migrantes da cidade.
Em 1914, ofereceu-se voluntariamente como capelão militar na Primeira Guerra Mundial, servindo nas frentes da França, da Polônia e da Romênia. Era conhecido por rastejar sob fogo para levar os sacramentos aos feridos; em dezembro de 1915 tornou-se o primeiro capelão a receber a Cruz de Ferro por bravura. Em dezembro de 1916 perdeu a perna esquerda num ataque de granada, o que lhe valeu o apelido carinhoso de “Padre Mancando” (o padre com a perna de pau).
De volta a Munique, o Beato Rúpert Mayer permaneceu na cidade pelo resto da vida. Em 1921 assumiu a direção de uma Congregação Mariana masculina, que sob sua liderança cresceu até abranger cinquenta e três paróquias, exigindo dele deslocamentos constantes pela cidade apesar da perna amputada. Introduziu ainda missas dominicais na estação ferroviária central de Munique, para conveniência dos viajantes.
Oposição ao nazismo
Quando Adolf Hitler assumiu a chancelaria da Alemanha em janeiro de 1933, o Beato Rúpert Mayer manifestou-se publicamente contra o regime, denunciando do púlpito de Sankt Michael, em Munique, as perseguições à Igreja. Pregava que “é preciso obedecer antes a Deus que aos homens”. Em 16 de maio de 1937 a Gestapo lhe ordenou que cessasse os discursos públicos; ele recusou-se a obedecer e foi preso em Landsberg. Em junho do mesmo ano foi detido em Stadelheim por seis semanas. Libertado, voltou ao púlpito para se defender das calúnias do regime, o que lhe valeu nova prisão e mais cinco meses de cárcere.
Em 3 de novembro de 1939 foi preso outra vez, sob a lei que proibia manifestações políticas do clero (Kanzelparagraph), e deportado ao campo de concentração de Sachsenhausen, perto de Berlim. Já com 63 anos, sua saúde piorou gravemente; temendo que morresse como mártir dentro do campo — o que o regime queria evitar politicamente —, as autoridades o transferiram, no final de 1944, para a Abadia beneditina de Ettal, nos Alpes bávaros, onde ficou sob prisão domiciliar até ser libertado pelas forças norte-americanas em maio de 1945.
Morte
Libertado, o Beato Rúpert Mayer retornou a Munique como figura de resistência reconhecida e retomou seu ministério em Sankt Michael. Morreu em pé, vítima de um derrame, na manhã de 1º de novembro de 1945 — Solenidade de Todos os Santos —, enquanto celebrava a missa das oito horas. Seus restos mortais foram transladados em 1948 para a Bürgersaalkirche de Munique, onde permanecem venerados.
Beatificação
O papa Pio XII concedeu-lhe o título de Servo de Deus em 1956. São João Paulo II reconheceu-lhe as virtudes heroicas e o beatificou em 3 de maio de 1987, em Munique — sua festa litúrgica é celebrada tanto em 1º de novembro (dia da morte, data adotada pelo Martirológio Romano) quanto, em calendários jesuítas e locais, em 3 de novembro.
Elogio do Martirológio
Em Munique, cidade da Baviera, na Alemanha, o Beato Ruperto Mayer, presbítero da Companhia de Jesus, zelosíssimo guia dos fiéis, grande protector dos pobres e dos operários e eminente pregador da palavra de Deus, que, perseguido pelo nefando regime nazi, foi deportado para um campo de concentração e depois internado num mosteiro, privado de toda a comunicação com os fiéis. — Martirológio Romano, 1 de novembro
Fontes
- Martirológio Romano 2004 — entrada de 11-01 (ordem 17, marcador * da ed. 2004): elogio_pt via liturgia.pt.
- Índice alfabético oficial do Martirológio: “Ruperto Mayer, Munique, 1 Nov., 17 (1945)”.
- Jesuits Ireland, “Blessed Rupert Mayer SJ” — jesuit.ie/who-are-the-jesuits/inspirational-jesuits/blessed-rupert-mayer/ (biografia, capelania militar, resistência ao nazismo, Sachsenhausen, Ettal, beatificação).
- Wikipédia (EN), “Rupert Mayer” — corroboração de datas (nascimento 23/01/1876, ordenação 1899, ingresso na Companhia 1900, prisões de 1937-1939, deportação a Sachsenhausen em 03/11/1939, internamento em Ettal a partir de fim de 1944, morte em 01/11/1945, beatificação em 03/05/1987).
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/11-novembro/01
- Solenidade do dia da morte: Todos os Santos
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004

