São Sansão de Constantinopla
Também conhecido como Sansão o Hospitaleiro, Sampson Xenodochos
Identificação
São Sansão de Constantinopla (†c. 560), conhecido como Sansão o Hospitaleiro ou, em grego, Sampson Xenodochos, foi médico, presbítero e fundador do mais célebre hospital de Constantinopla no século VI. Natural de Roma, estabeleceu-se na capital do Império Bizantino, onde exerceu a medicina a serviço dos pobres e enfermos, foi ordenado pelo patriarca local e, segundo a tradição, recebeu do imperador Justiniano I os recursos necessários para construir um grande hospital junto à basílica de Santa Sofia. É venerado nas Igrejas Católica e Ortodoxa.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Constantinopla, hoje Istambul, na Turquia, São Sansão, que foi refúgio dos pobres e, segundo a tradição, construiu um hospital por sugestão do imperador Justiniano, que ele tinha curado de uma enfermidade.
Vida
O médico que se fez presbítero
São Sansão nasceu em Roma, em família de posição. Segundo o Rohrbacher (Histoire Universelle de l’Église Catholique, vol. XI, pp. 238-240 — em português), foi “menino sossegado, obediente, sempre desejoso de aprender, inteligente, vivo e aplicado”. Após estudar medicina, transferiu-se para Constantinopla, onde se dedicou ao atendimento dos pobres e doentes sem recursos. Converteu sua própria casa em clínica gratuita, oferecendo cuidados médicos, alimentação e abrigo. A notoriedade de sua caridade chegou ao patriarca da cidade, que, “sensibilizado e edificado, achando-o digno do sacerdócio, consultou-o” — e, encontrando no médico uma disposição pronta, ordenou-o presbítero, quando São Sansão contava pouco mais de trinta anos.
O hospital de Constantinopla e a caridade aos pobres
Após a ordenação, São Sansão continuou a exercer a medicina como ministério sacerdotal. O hospital que fundou ficou conhecido como o Sampson Xenon (Ξενών του Σαμψών) — o “xenodóquio de Sansão” — e localizava-se entre a Igreja de Santa Irene e a basílica de Santa Sofia, no coração da capital imperial. Tornou-se a maior clínica gratuita do Império Bizantino, funcionando ininterruptamente por cerca de seiscentos anos. O estabelecimento acolhia doentes de toda a condição, sem distinção, e oferecia não apenas tratamento médico mas também hospedagem e alimentação. O nome grego xenodochos (ξενοδόχος, “o que acolhe os estrangeiros”) exprime com exatidão a vocação de São Sansão: acolher, tratar e sustentar os que ninguém mais recebia.
A relação com o imperador Justiniano (segundo a tradição)
A tradição hagiográfica narra que o imperador Justiniano I (r. 527-565), o mesmo que promulgou o Corpus Juris Civilis e combateu os vândalos arianos na África, adoeceu gravemente. Chamados os médicos da corte, nenhum conseguia identificar o mal nem deter o agravamento do soberano. Ao ouvir falar de São Sansão, Justiniano pediu-lhe que o assistisse. O Santo acorreu imediatamente. Atribuindo a cura somente a Deus — a quem rogou em silêncio, no coração —, aplicou ao imperador um remédio capaz de aparentar efeito natural. Curado, Justiniano reconheceu que seu restabelecimento se dera por intercessão divina e quis recompensar São Sansão com riquezas. O Santo recusou delicadamente toda recompensa pessoal, mas aceitou com alegria quando o imperador sugeriu a construção de um hospital onde pudesse tratar os doentes com mais recursos. Rohrbacher relata que São Sansão “cheio de júbilo, aplaudiu aquele oferecimento”. Essa narrativa é transmitida como tradição hagiográfica — não há documentação civil ou sinodal contemporânea que a corrobore de forma independente —, mas está consignada no Martirológio Romano de 2004, que a introduz com a expressão “segundo a tradição”.
Morte e culto
São Sansão faleceu em Constantinopla no exercício da caridade. O Martirológio Romano de 2004 regista o ano 560; a Wikipedia em inglês propõe c. 530, com base em fontes hagiográficas orientais. Rohrbacher confirma 560 como data de morte. Foi sepultado na Igreja do Santo Mártir Môcio, em Constantinopla. Após a morte, a fama de santidade que havia conquistado sem a buscar cresceu pelos milagres atribuídos à sua intercessão. O nome de São Sansão foi introduzido no Martyrologium Romanum pelo Cardeal Barônio (Annales Ecclesiastici, final do século XVI). É venerado tanto no Oriente (calendário ortodoxo, 27 de junho) quanto no Ocidente (Martirológio Romano, 27 de junho). Na Rússia, o dia da sua festa coincide historicamente com a data da Batalha de Poltava (1709), o que ampliou sua devoção — a Catedral de São Sansão em São Petersburgo, construída por Pedro o Grande, é testemunho desse culto.
Referências
- Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana), 27 de junho, entrada 5 — fonte canônica primária; elogio em português a partir da edição portuguesa (liturgia.pt).
- Rohrbacher, Histoire Universelle de l’Église Catholique, vol. XI, pp. 238-240 (ed. portuguesa: Padre Rohrbacher — consultada em texto OCR do vol. 11,
/Users/thiagolacerda/martyr-fixes/rohrbacher/vol11.txt, linhas 6075-6113). Texto em português. - Wikipedia (em inglês): Sampson the Hospitable — consultada para localização do Sampson Xenon e dados do culto oriental. Idioma: inglês.
- Wikipedia (em português): Sansão de Constantinopla — confirmação de dados gerais. Idioma: português.
