São Senador de Milão
Também conhecido como Senador de Settala, Senatore da Settala
Identificação
São Senador de Milão (Settala, séc. V – Milão, 29 de maio de 475), nascido provavelmente em Settala, pequena localidade a cerca de quinze quilômetros a leste de Milão, é figura de relevo na história eclesiástica do Ocidente cristão do século V. Ainda presbítero, integrou a legação enviada pelo papa São Leão Magno a Constantinopla em 450, missão decisiva para a afirmação da ortodoxia cristológica às vésperas do Concílio de Calcedônia. Ao fim da vida, governou a Sé de Milão como bispo de 472 a 475. Fundou a Basílica de Santa Eufêmia em Milão, onde foi sepultado. A Igreja celebra sua memória em 29 de maio.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Em Milão, na Ligúria, hoje na Lombardia, também região da Itália, São Senador, bispo, que o papa São Leão Magno tinha enviado como legado a Constantinopla quando ainda era presbítero.
Vida
O presbítero milanês e a legação a Constantinopla por São Leão Magno
A vida de São Senador emerge para a história eclesiástica no contexto da grande crise cristológica do século V. Após a deposição do patriarca Flaviano de Constantinopla por Eutiques e seus aliados no Concílio de Éfeso de 449 — o chamado “Latrocínio de Éfeso” —, o papa São Leão Magno empenhou-se por restaurar a ortodoxia no Oriente e afirmar a doutrina das duas naturezas em Cristo.
Com esse objetivo, em 450, São Leão Magno despachou uma embaixada a Constantinopla. A legação era chefiada por São Abúndio, bispo de Como — prelado de grande prestígio e experiência diplomática —, e composta ainda por Etério, bispo de Cápua, pelo sacerdote Basílio de Nápoles, e por Senador, então ainda presbítero. As cartas papais, datadas de 17 de junho de 450, eram dirigidas ao imperador Teodósio II, à imperatriz Pulquéria e ao patriarca Anatólio; denunciavam as doutrinas de Eutiques como heréticas e exigiam que a fé definida pela carta de São Leão (o célebre Tomus Leonis) fosse acolhida em Constantinopla.
A delegação chegou à capital oriental antes de 13 de setembro de 450. Em 21 de outubro, São Senador e os demais legados papais participaram de um sínodo convocado pelo patriarca Anatólio no batistério de Santa Sofia: ali obtiveram a adesão de Anatólio à ortodoxia e a condenação formal de Eutiques e de Nestório. Os legados encontraram ainda o imperador Marciano — que entretanto sucedeu a Teodósio II —, antes de 22 de novembro de 450. Regressaram à Itália antes de junho de 451.
De volta a Milão, São Senador e São Abúndio compareceram a um concílio local reunido em setembro de 451 com dezoito bispos do norte da Itália, aos quais relataram os resultados da missão a Oriente. No mês seguinte, em outubro de 451, o Concílio de Calcedônia definiria solenemente a doutrina das duas naturezas de Cristo — o que São Senador e seus companheiros haviam contribuído para preparar com sua embaixada diplomática.
O episcopado em Milão
Em 472, São Senador foi elevado à cátedra episcopal de Milão, sucedendo na chefia da prestigiosa Igreja Ambrosiana. O episcopado foi breve — cerca de três anos —, mas fecundo em obras. A ele se atribui a fundação da Basílica de Santa Eufêmia, que mandou construir em Milão e dedicou à mártir de Calcedônia. A ligação ao nome de Santa Eufêmia não é acidental: a basílica do concílio de 451 fora celebrado em Calcedônia junto à Igreja de Santa Eufêmia, e a devoção à mártir estava intimamente associada à memória do grande concílio que São Senador ajudara a preparar. Com o passar dos séculos, a basílica passou a ser dedicada conjuntamente a Santa Eufêmia e ao próprio São Senador, e suas relíquias são veneradas até hoje num relicário do século XVII ali conservado.
Morte e culto
São Senador morreu em Milão em 29 de maio de 475, sendo sepultado na basílica que havia fundado. O Martirológio Romano 2004 registra sua comemoração em 29 de maio. Algumas tradições locais passaram a celebrá-lo em 28 de maio — por conflito de calendário com outra memória de santos —, mas a data canônica do Martirológio Romano é 29 de maio.
O culto de São Senador conservou-se vivo na Igreja milanesa ao longo dos séculos. A associação com São Abúndio de Como e com São Leão Magno consolidou sua memória como figura da resistência ortodoxa às heresias cristológicas do século V.
Nota sobre o nome: em latim Senator Mediolanensis; em italiano Senatore di Milano ou Senatore da Settala. O Martirológio Romano 2004 usa a forma portuguesa Senador, que esta ficha adota como nome canônico.
Referências
- Martirológio Romano 2004, 29 de maio (Editrice Vaticana) — elogio e data canônica; fonte primária desta ficha.
- Wikipedia EN, artigo «Senator (bishop of Milan)» — dados biográficos: Settala, legação 450, San Abúndio, sinodo 21 out. 450, concílio set. 451, episcopado 472–475, fundação da Basílica de Santa Eufêmia, morte 29 mai. 475. Consultado em 2026-05-27. Língua: inglês.
- Wikipedia IT, artigo «Senatore di Milano» — confirmação dos mesmos dados; menciona relicário do século XVII na Basílica de Sant’Eufemia. Consultado em 2026-05-27. Língua: italiano.
- Rohrbacher, Vidas dos Santos (22 vols., ed. PT): sem entrada biográfica específica para São Senador de Milão. O vol. 22 (índice onomástico) registra «SENADOR (bispo), 28 de maio» — única ocorrência nominal; os demais usos de “senador” nos volumes são comuns (família senatorial, cargo civil). A omissão é compatível com a escassez de fontes hagiográficas medievais sobre este bispo.
