Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face

Teresinha

Também conhecido como Teresinha de Lisieux, A Florzinha (Little Flower), Teresinha do Menino Jesus, Doctor Amoris

Identificação

Santa Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face (1873-1897) — popularmente Santa Teresinha ou Petite Thérèse (Pequena Teresa), em distinção da grande Teresa de Ávila. Carmelita descalça em Lisieux dos 15 aos 24 anos. Faleceu de tuberculose aos 24 anos, sem ter realizado obras grandiosas, sem cargos, sem viagens. Tornou-se a santa mais popular do séc. XX e foi declarada Doutora da Igreja por São João Paulo II em 19973ª mulher doutora, depois de Teresa de Ávila e Catarina de Sena. Copadroeira universal das missões (com São Francisco Xavier) desde 1927. Copadroeira da França.

Elogio (Martirológio Romano 2004)

Memória de Santa Teresa do Menino Jesus, virgem e doutora da Igreja, que, em Lisieux, na Normandia, na França, ainda jovem, entrou no Carmelo, onde, vestindo o nome de Teresa do Menino Jesus, se ofereceu como vítima ao amor misericordioso de Deus, em vida austera de abnegação e sofrimento, espelhando-se na meninice espiritual e seguindo o caminho mais alto.

Vida

Família santa

Nasceu em Alençon (Normandia) em 2 de janeiro de 1873. 9ª filha de Louis Martin (relojoeiro) e Zélie Guérin (rendeira) — ambos canonizados em 18 de outubro de 2015 por Francisco (primeiros esposos canonizados juntos como casal).

4 irmãs sobreviventes entraram todas em vida religiosa: - Marie (Madre Maria do Sagrado Coração) — Carmelo de Lisieux. - Pauline (Madre Inês de Jesus) — Carmelo de Lisieux, será mestra de noviças e priora. - Léonie (Visitandina, depois novamente Visitandina) — em Caen. - Céline (Genoveva da Sagrada Face) — Carmelo de Lisieux.

Infância

Mãe Zélie morreu em 28 de agosto de 1877, quando Teresinha tinha 4 anos e meio. Pai mudou-se com as filhas para Lisieux, perto da família de Zélie. Teresinha foi profundamente afetada pela morte materna.

Crianças adotam-se mães: Pauline (10 anos mais velha) tornou-se “mãezinha” para Teresa. Quando Pauline entrou no Carmelo (1882), Teresinha sofreu nova “perda”.

“Conversão de Natal” (1886)

24 de dezembro de 1886 — em pleno Natal, com 13 anos quase 14, Teresinha superou subitamente o sentimentalismo infantil que a paralisava. Chamou esse momento de “a graça da minha conversão” — fortalecimento espiritual decisivo.

Carmelo (1888-1897)

Pedido inusual: aos 14 anos, Teresinha pediu pessoalmente ao Papa Leão XIII durante peregrinação a Roma (novembro 1887) que a deixasse entrar no Carmelo antes da idade canônica (16 anos). O papa respondeu: “Se for vontade de Deus…”. Em 9 de abril de 1888 (aos 15 anos), entrou no Carmelo de Lisieux.

1888-1897 — 9 anos no Carmelo: vida monástica simples, oculta. Cumpriu encargos humildes (lavanderia, refeitório, jardim). Foi mestra de noviças desde 1893 (com 20 anos). Em 1894, o pai Louis falece (anos antes acometido por demência).

Pequeno caminho: percebendo sua incapacidade para feitos grandiosos, Teresinha desenvolveu a doutrina do pequeno caminho da infância espiritual — santidade pelo cumprimento amoroso das pequenas coisas cotidianas. “Não sou capaz das grandes ações: oferecer flores ao Senhor, sim — pequenas e ordinárias, mas todas com amor”.

Tuberculose e morte (1896-1897)

Sexta-feira Santa, 3 de abril de 1896: primeiro acesso pulmonar — sangue na boca. Sinal da tuberculose que a mataria.

Última doença prolongada e dolorosa18 meses de sofrimento físico crescente.

Faleceu em 30 de setembro de 1897, com 24 anos, dizendo: “Meu Deus, eu vos amo!”.

História de uma alma

Por ordem da priora Madre Inês (sua irmã Pauline) e depois da priora Madre Maria de Gonzaga, Teresinha escreveu 3 manuscritos autobiográficos (1894-1897):

  • Manuscrito A: dedicado a Madre Inês, narra a infância.
  • Manuscrito B: para Madre Maria do Sagrado Coração (irmã Marie), sintetiza a doutrina do “pequeno caminho”.
  • Manuscrito C: para Madre Maria de Gonzaga, narra a vida no Carmelo.

Após a morte, os manuscritos foram editados pela irmã Inês e publicados em 1898 com o título Histoire d’une âme (História de uma alma) — best-seller espiritual mundial, traduzido em todas as línguas. Convertida muitos.

Doutora da Igreja

  • Beatificada em 29 de abril de 1923 por Pio XI.
  • Canonizada em 17 de maio de 1925 pelo mesmo Pio XI — canonização meteórica: 28 anos após a morte.
  • Copadroeira universal das Missões declarada por Pio XI em 14 de dezembro de 1927 (junto com São Francisco Xavier).
  • Copadroeira da França declarada por Pio XII em 3 de maio de 1944 (junto com Joana d’Arc).
  • Doutora da Igreja em 19 de outubro de 1997 por São João Paulo II — declarada Doctor Amoris (Doutora do Amor) no Domingo Mundial das Missões. Centenário da morte. 3ª mulher doutora, mais jovem doutora da Igreja (24 anos no momento da morte).

Influência

A santidade escondida de Teresinha transformou a percepção católica da santidade no séc. XX:

  • Santidade não exige obras grandiosas, viagens missionárias, fundação de ordens, mártir gloriosa — basta fidelidade radical ao amor de Deus em qualquer estado de vida.
  • “Pequeno caminho” influenciou Madre Teresa de Calcutá, São Padre Pio, Santa Faustina, e milhões de fiéis comuns.
  • Reforma da espiritualidade: passou da espiritualidade rigorista jansenista francesa à espiritualidade da confiança e da misericórdia.

São Pio X chamou-a “a maior santa dos tempos modernos”.

Iconografia

  • Hábito carmelita marrom-branco.
  • Crucifixo nos braços.
  • Buquê de rosas (referência à promessa: “Passarei o meu céu fazendo o bem na terra; farei chover rosas”).
  • Filha pequena ou Menino Jesus.

Backlinks

  • Dia litúrgico: por-data/10-outubro/01
  • Século: por-seculo/seculo-xix
  • País: por-pais/frança
  • Doutoras da Igreja:
  • Carmelitas Descalças:
  • Copadroeiras das missões:
  • Pais santos: luis e zelia martin
  • Inspiração para: edith stein (que se converteu lendo Vida de Teresa de Ávila — “ramo” tereziano)
  • Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004
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