← Blog
dPA

A EUCARISTIA É O CENTRO DA PARÓQUIA

Sempre me perguntam, principalmente lá no Instagram do Diário de um Paroquiano de Aldeia, uma pergunta que parece simples e não é: como eu faço pra ser paroquiano? “Eu já frequento uma paróquia, já vou de vez em quando, tem uma paróquia perto de casa — e agora, como faço pra ser paroquiano de verdade?” A minha resposta é sempre a mesma, e a homilia que medito hoje me deu a razão de fundo dela.

Essa reflexão nasce do segundo dia da Setena do Sagrado Coração de Jesus, a festa da minha paróquia. Eu não pude estar presente — expliquei no vídeo anterior por quê —, mas, graças ao trabalho da Pascom e em especial da Ana, que é a coordenadora e uma grande amiga, recebi a gravação da homilia. E o tema da pregação do Pe. Marto foi lindíssimo: o Coração de Jesus que reúne em comunhão, e a Eucaristia como o coração da vida em comunidade.

O primeiro passo é a missa dominical

Quando alguém me pergunta por onde começar, o primeiro ponto que eu coloco é este: participe da missa dominical, sempre, na sua paróquia. E aqui eu preciso explicar o que quero dizer, porque é fácil entender torto.

Tem gente que já é católica há tempos, já se converteu, ou até nasceu na fé — mas vive a missa de domingo num lugar, no outro domingo vai numa paróquia onde tem um padre amigo, no outro vai conhecer outro bairro. A minha indicação é que o primeiro de todos os passos seja começar a frequentar a missa dominical por costume, num lugar só, o seu.

Não é uma prisão, não é uma algema — é uma mentalidade, uma prioridade. É como o banho. A primeira coisa que eu faço quando acordo é tomar banho. “Mas eu posso algum dia não tomar?” Claro: se atrasou, se vai sair cedo, se está sem água. Mas o normal é tu pensar “amanhã de manhã eu acordo e tomo banho”. Pra quem é paroquiano, o normal é pensar “próximo domingo, missa na minha paróquia”. O ordinário define quem tu és.

A paróquia gira em torno da Eucaristia

Por que a missa dominical, e não outra coisa? Porque — e aqui está o coração da homilia do Pe. Marto — a paróquia gira em torno da Eucaristia. Ela é o centro.

Repara: a gente pode ter paróquias com Pascom e sem Pascom, com grupo de jovens e sem, com grupo de idosos e sem, que fazem muita ação social e que fazem pouca, mais ricas e mais pobres, com um templo lindo ou rezando missa no salão. Tudo isso muda. Mas uma coisa todas elas têm em comum, sem exceção: a Eucaristia. O núcleo é a Eucaristia.

Se eu fosse resumir ser paroquiano a uma única ação — e claro que não se resume só a isso —, eu diria: partilhar a Eucaristia, estar em comunhão, estar em comunidade. Tudo o mais orbita esse centro.

Comungar com a Igreja inteira

E o Pe. Marto foi mais fundo, num ponto que me tocou demais. Aquela comunidade reunida no domingo não está comungando sozinha. Ela vive a comunhão de toda a Igreja, a comunhão dos santos: a Igreja Militante, que somos nós aqui; a Igreja Padecente, que espera no Purgatório pela glória de Deus; e a Igreja Triunfante, que já está ao lado d’Ele.

Quer dizer: o teu santo de devoção está comungando daquela mesmíssima Eucaristia, naquele exato momento, contigo. É o mesmo Cristo, o mesmo Pão. A Eucaristia que tu recebes no banco da tua paróquia te une à Igreja inteira, dos vivos e dos que nos antecederam.

E mesmo assim — essa é a beleza da ordem que Deus instituiu —, pra nós que temos limitações físicas, que vivemos no tempo e no espaço, a paróquia continua sendo o lugar concreto dessa Eucaristia. É ali, naquele prédio, naquela comunidade, que o céu encosta na terra pra mim.

Servir não é o mesmo que ser paroquiano

Daí decorre uma distinção que eu faço questão de marcar, porque ela desfaz muita confusão. Eu não posso me considerar de fato paroquiano de um lugar onde eu sirvo, mas não comungo.

Pego o meu próprio exemplo: imagina que eu sou da Pascom de uma paróquia, faço as artes pra eles, edito os vídeos, ajudo no que precisa — mas no domingo eu vou na missa da paróquia do lado de casa. Tu estás fazendo um trabalho caritativo, voluntário, e isso é ótimo, não tem problema nenhum em oferecer o teu serviço, ajudar outros lugares. Mas paroquiano é aquele que vive a comunidade, e o centro da comunidade é a Eucaristia. Não adianta eu viver a pastoral, ir em todos os almoços, e não ir na missa. Sinto te dizer — pelo menos sob a minha ótica —, ali tu não estás sendo de fato paroquiano.

E não tem lugar certo ou errado pra ser paroquiano. Cada um tem o seu. Eu só não quero te iludir.

A providência move tudo em torno do altar

Tem um detalhe que dá o tom de tudo isso. O Pe. Marto fez pastoral na nossa paróquia, na Coração de Jesus, enquanto era seminarista. Quando a gente casou, ele ainda era seminarista — e foi o organista do nosso casamento. É amigo de longa data, e um grande sacerdote da Arquidiocese de Porto Alegre.

Então, ele voltar e dizer àquela comunidade “vejam só, eu estou aqui não porque tomei uma decisão qualquer ou porque alguém me mandou, mas porque foi a Eucaristia que nos uniu” — isso carrega um peso enorme. Foi a Eucaristia que fez os padres estarem ali, os seminaristas estarem ali, os fiéis se encontrarem ali. A providência divina movimenta todas aquelas pessoas em torno do altar, daquele prédio, daqueles grupos, daquelas pastorais. Nada ali é acaso.

Por isso, se tu me perguntar hoje o que é ser paroquiano, eu te respondo sem hesitar: o primeiro passo é frequentar a Eucaristia em comunidade, viver o Cristo em comunidade com os irmãos. A salvação passa pela comunidade. Concorda? Discorda? Me conta. E te espero amanhã, na próxima reflexão desta Setena.

TL
Thiago Lacerda
Colunista do Hub Católico