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Cruzes

AMARIA

Dia desses li em alguma rede social a seguinte frase: “pessoas confusas magoam pessoas incríveis”. Logo trouxe a reflexão para a Igreja: católicos confusos magoam católicos incríveis. Não tem sido fácil esse tempo de isolamento e, para ser sincero, eu não aguento mais ouvir falar de pandemia em todas as rodas de conversa e grupos do whatsapp. Por isso não quero me ater a esse mal, mas falar de algumas consequências – especificamente no lugar onde, por excelência, deveria reinar o bem. ‘Deveria’ = futuro do pretérito; indica que algo tem condições de acontecer, mas, por algum motivo, essa ação é barrada, interrompida. ‘Deveria’ porque, entre nós, há muitos confusos.

católicos confusos magoam católicos incríveis.

Não tenho a pretensão de ser “o iluminado” com a resposta certa, mas lucidez sempre cai bem. Estamos confusos em nossas prioridades, em nossos discursos, em nossas ações; mas, principalmente, em nossas fraquezas e nossas forças. Nossa grande força sempre foi a união de um corpo com diversos membros, mas com a mesma cabeça: Cristo. Esse Cristo está em sua totalidade em cada Eucaristia. E que bom, que imensa graça, que nosso povo anseia pela Eucaristia! Nossa fraqueza sempre esteve no desviar nosso olhar de Jesus e de sua Cruz. Pretensões políticas, status, busca por aplausos, ego, etc., sempre se mostraram quase como nossas kryptonitas. Esquecemos que somos excessivamente frágeis. E nesse maldito esquecimento, achamos que somos corpos independentes. Pior ainda, condenamos e tentamos amputar partes do nosso corpo. Isso é uma atitude suicida. Como família que somos, cabe aos pais alimentarem seus filhos; cabe aos filhos honrarem seus pais – e cabe a cada membro amar e ser amado, aprofundando-se no Amor.

Estamos confusos em nossas prioridades, em nossos discursos, em nossas ações; mas, principalmente, em nossas fraquezas e nossas forças.

O amor de Cristo nos uniu. O desamor do que não é essencial nos desuniu. Mas tudo bem, o verbo ‘deveria’ compreende passado, que pode e deve ser superado. Talvez o presente consista exatamente nessa luta de não deixar que o passado se perpetue no futuro. Mas a expressão ainda pode apontar um horizonte de menos confusão e menos mágoas. Assim quereria eu crer.

O amor de Cristo nos uniu.

DS
Darlan Heleno Schwaab
Colunista do Hub Católico

Texto recuperado do arquivo histórico do Hub Católico (publicado originalmente em 13 de maio de 2020). Importação fiel ao original.