Santos Cirilo, monge, e Metódio, bispo
Cirilo e Metódio
Também conhecido como Apóstolos dos Eslavos, Constantino, Tessalonicenses
Identificação
Santos Cirilo (827-869) e Metódio (815-885) — irmãos gregos de Tessalônica, Apóstolos dos Eslavos. Inventaram o alfabeto glagolítico (predecessor do cirílico) para traduzir as Escrituras e a Liturgia ao eslavônico antigo. Evangelizaram a Morávia (atuais Tchéquia, Eslováquia, Hungria, partes da Polônia) e influenciaram toda a evangelização eslava posterior (Bulgária, Sérvia, Rússia). Copadroeiros da Europa desde 1980 (João Paulo II). Memória obrigatória universal em 14 de fevereiro.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Memória dos santos Cirilo, monge, e Metódio, bispo, que, irmãos de sangue e de fé, originários de Tessalônica e enviados na Morávia, pelo papa Adriano II, traduziram para a língua eslava os divinos livros e ali pregaram a fé cristã, trabalhando os dois como apóstolos do povo eslavo.
Vida (resumo)
Origens
Cirilo (nasc. Constantino, c. 826-827) e Metódio (nasc. Miguel, c. 815) eram filhos de oficial militar bizantino em Tessalônica (cidade que tinha grande presença eslava nos arredores). Falavam grego e eslavônico desde a infância.
Carreiras iniciais
- Constantino (futuro Cirilo): estudou em Constantinopla com Photius (futuro patriarca). Filósofo-teólogo brilhante, ensinou no palácio imperial. Liderou missão diplomática aos sarracenos (851) e aos cazares (Crimeia, 860-861) para defender a fé cristã.
- Miguel (futuro Metódio): foi strategós (governador civil-militar) de uma província eslava do Império antes de retirar-se à vida monástica no Monte Olimpo (Bitínia).
A missão da Morávia
862 — o príncipe Rastislav da Grande Morávia (atuais Tchéquia, Eslováquia, partes vizinhas) pediu a Constantinopla missionários que evangelizassem os eslavos na sua própria língua. Pretendia reduzir a influência dos missionários germânicos (latinos), que pregavam em latim.
O imperador Miguel III enviou Constantino e Metódio (863). Antes de partir, Constantino criou o alfabeto glagolítico (39 letras adaptadas ao fonemário eslavo) e traduziu os evangelhos, salmos e textos litúrgicos para o eslavônico antigo.
Em Velehrad (capital da Morávia), durante 4 anos, formaram clero eslavo nativo. Combateram a “heresia trilíngue” (a ideia de que só hebraico, grego e latim eram línguas sagradas) — defendiam a liturgia em eslavônico como legítima.
Em Roma (867-869)
Acusados pelos missionários germânicos, foram convocados a Roma pelo papa Adriano II (867). Levaram as relíquias de São Clemente Romano (que Cirilo havia recuperado na Crimeia em 860). O papa aprovou a liturgia em eslavônico — decisão revolucionária para a época, pois o latim era a única língua aprovada no Ocidente.
Cirilo, doente, vestiu hábito monástico em Roma tomando o nome Cirilo (nome com que entrou no calendário). Faleceu em 14 de fevereiro de 869, com 42 anos, e foi sepultado na Basílica de São Clemente em Roma — onde está até hoje.
Metódio (869-885)
Metódio foi consagrado bispo pelo papa Adriano II e nomeado arcebispo da Panônia e Morávia (869). Voltou aos eslavos. Sofreu 3 anos de prisão (870-873) por bispos germânicos (Salzburgo, Passau) que o consideravam intruso. Liberado por intervenção papal (João VIII).
Continuou a missão até a morte em 6 de abril de 885 em Velehrad. Traduziu quase toda a Bíblia para o eslavônico.
Após a morte de Metódio
Os discípulos foram expulsos da Morávia por sucessor germânico. Refugiaram-se na Bulgária, onde o alfabeto cirílico (refinamento do glagolítico) foi desenvolvido por São Clemente de Ohrid (discípulo direto). Daí a missão se irradiou para a Sérvia, Macedônia, Rússia (988, batismo de Vladimir).
A liturgia eslavônica
A grande conquista de Cirilo e Metódio foi traduzir a Liturgia para o eslavônico com aprovação papal. Esta tradição perdura:
- Igreja Católica Bizantina Eslavônica (Croácia, Tchéquia, Eslováquia, Ucrânia, Bielorrússia, Polônia oriental).
- Igrejas Ortodoxas Eslavas (Rússia, Sérvia, Bulgária, Macedônia, Montenegro).
- Antigos eslavônicos litúrgicos ainda usados em vários lugares (especialmente na Igreja Glagolítica da Croácia, católica romana com liturgia em glagolítico).
Copadroeiros da Europa
- Proclamados copadroeiros da Europa por São João Paulo II em 31 de dezembro de 1980 (carta apostólica Egregiae virtutis), junto com São Bento de Núrsia (já padroeiro principal desde 1964).
- Mais tarde, em 1999, JP2 acrescentou outras 3 copadroeiras: Brígida da Suécia, Catarina de Sena, Edith Stein.
Encíclica Slavorum Apostoli
João Paulo II dedicou a encíclica Slavorum Apostoli (2 de junho de 1985) aos dois irmãos no centenário de morte de Metódio. Texto fundamental sobre o significado eclesial da inculturação.
Significado
- Modelo de inculturação: a fé cristã pode/deve ser proclamada em todas as línguas e culturas.
- Ponte entre Oriente e Ocidente: gregos enviados pelo papa romano.
- Evangelizadores não-europeus (eram de cultura grega, levaram o cristianismo a um povo bárbaro).
- Alfabeto cirílico — usado hoje por 300+ milhões de pessoas (Rússia, Ucrânia, Bulgária, Sérvia, Macedônia, etc).
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/02-fevereiro/14
- Século: por-seculo/seculo-ix
- País: por-pais/grecia · por-pais/tcheca · por-pais/eslovaquia
- Copadroeiros da Europa:
- Apóstolos de povos:
- Inculturação cristã:
- Outros copadroeiros: bento de nursia · brigida da suecia · catarina de siena · edith stein
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004

