Solenidade do Natal do Senhor

Também conhecido como Natal, Festa da Natividade, Solenidade Maior do Senhor (junto com Páscoa)

Identificação

Solenidade do Natal do Senhor — celebrada universalmente em 25 de dezembro. Comemora a Natividade de Jesus Cristo em Belém da Judeia (Lucas 2,1-20; Mateus 1,18-25). Junto com a Páscoa, é uma das duas máximas solenidades do ano litúrgico. Sacerdotes podem celebrar 3 missas (vigília, do galo, do dia). Encerra o Advento (início do Ano Litúrgico) e abre o Tempo do Natal (que vai até o Batismo do Senhor, em janeiro).

Elogio do Natal — “Kalenda Natalicia”

A leitura solene do Kalenda Natalicia (Martirológio com texto especial) é tradicional na Vigília de Natal ou no início da Missa do Galo:

Inumerável tempo passado desde a criação do mundo, quando, ao princípio, Deus criou o céu e a terra e formou o homem à sua imagem; muito tempo desde a aliança que estabeleceu com Noé; longo tempo desde que Abraão, nosso pai na fé, recebeu sua primeira convocação; muitos séculos desde que Moisés conduziu a Israel libertado do Egito; nos tempos do rei Davi, mil anos depois; na sexagésima quinta semana segundo a profecia de Daniel; sob a centésima nonagésima quarta Olimpíada; no ano dois mil setecentos cinqüenta e dois desde a fundação da Cidade de Roma, nos tempos do imperador Otaviano Augusto, paz universal sobre toda a terra:

No tempo determinado, o eterno Deus, para salvar o mundo, foi gerado em Belém de Judá, no seio da Virgem Maria, e se fez homem.

NATIVIDADE DO NOSSO SENHOR JESUS CRISTO SEGUNDO A CARNE.

A Encarnação

A Encarnação do Verbo“o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (João 1,14) — é o dogma central da fé cristã, segundo apenas à Trindade.

Cronologia teológica

  • Concepção: 25 de março (Anunciação) — o Verbo encarnou no momento do fiat de Maria.
  • Natividade: 25 de dezembro — 9 meses depois.

A dupla data existia na cristandade desde os sécs. III-IV — atestada por Hipólito Romano e Tertuliano.

Por que 25 de dezembro?

Dois argumentos teológicos antigos:

  1. Cálculo cronológico: a paixão de Cristo foi tradicionalmente datada em 25 de março — Cristo, novo Adão, deveria ter sido concebido no aniversário da criação do mundo (que era 25 mar segundo a tradição). Logo, 9 meses depois = 25 dezembro = Natal.

  2. Cristianização do solstício pagão: o Império Romano celebrava em 25/12 a festa do Sol Invictus (vitória do sol após o solstício de inverno). Os cristãos viram em Cristo o “Sol da Justiça” (Malaquias 3,20) — substituição polêmica e poderosa.

A primeira festa cristã do Natal documentada é em Roma em 336 d.C. (Cronógrafo de 354). Generalizou-se rapidamente.

A narrativa bíblica

Mateus 1,18-2,23

  • Anúncio a José em sonho (1,18-25): aceita Maria como esposa.
  • Nascimento em Belém (2,1) — sob Herodes o Grande.
  • Magos do Oriente seguiram a estrela (2,1-12).
  • Fuga para o Egito (2,13-15).
  • Massacre dos Inocentes ordenado por Herodes (2,16-18).
  • Volta a Israel, estabelecimento em Nazaré (2,19-23).

Lucas 2,1-21

  • Recenseamento de Augusto com Quirino na Síria (2,1-3).
  • Viagem a Belém (2,4-5) — José e Maria grávida.
  • Nascimento na manjedoura (2,6-7) — “porque não havia lugar para eles na hospedaria”.
  • Anunciação aos pastores (2,8-14) — anjo glorifica: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade!”. Origem do Glória da missa.
  • Visita dos pastores (2,15-20).
  • Circuncisão e nome ao 8º dia (2,21).

As 3 missas do Natal

Privilégio do clero em 25 de dezembro:

  1. Missa da Vigília (24 dez à noite, In Nocte) — Missa do Galo popular: ~22-24h. Liturgia rica, leitura do Kalenda Natalicia, Glória in excelsis Deo, hino Adeste Fideles.
  2. Missa da Aurora (madrugada) — geralmente celebrada poucas vezes na prática contemporânea.
  3. Missa do Dia (manhã/tarde do dia 25) — solenidade pública.

A Oitava do Natal

8 dias após o Natal (25 dez a 1 jan) compõem a Oitava do Natal — período de festa contínua com várias festas internas:

Tradições natalinas

Origem cristã clara

  • Presépio: criado por São Francisco de Assis em 1223 em Greccio.
  • Árvore de Natal: simbolismo da árvore da vida (Apocalipse 22), popularizada pelos luteranos no séc. XVI.
  • Cantos natalinos: Adeste Fideles (séc. XVIII), Stille Nacht (1818, Áustria).
  • Pai Natal / Papai Noel: figura derivada de São Nicolau de Mira (séc. IV) (por-data/12-dezembro/06) via folclore germânico-anglo-saxão e cocacolização do séc. XX.

Liturgia

Cor

Branca ou dourada.

Leituras

  • Vigília: Mateus 1,1-25 (genealogia + Anunciação a José).
  • Galo: Lucas 2,1-14 (Natividade).
  • Dia: João 1,1-18 (“No princípio era o Verbo…”) — Prólogo joânico.

Backlinks

  • Dia litúrgico: por-data/12-dezembro/25
  • 9 meses antes: anunciacao por-data/03-marco/25
  • Oitava do Natal: por-data/12-dezembro/26 · por-data/12-dezembro/27 · por-data/12-dezembro/28
  • Encerra Oitava: maria mae de deus por-data/01-janeiro/01
  • Século: por-seculo/seculo-i
  • País: por-pais/israel-palestina
  • Solenidades dominicas (Páscoa e Natal):
  • Mistério da Encarnação:
  • Personagens: maria santissima · jose esposo de maria
  • Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004
Selo · coleção REGRAA fé que se veste.Quero a minha →

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