São João Apóstolo e Evangelista
João Evangelista
Também conhecido como João o Teólogo (na tradição oriental), Discípulo amado, João Bem-amado, Águia (símbolo evangelístico)
Identificação
São João Apóstolo e Evangelista (séc. I — c. 100 d.C.) — irmão de São Tiago Maior, pescador da Galileia, um dos Doze. Discípulo amado (ho mathetes ho egapa Iesous, João 13,23; 19,26; 20,2; 21,7.20). Único apóstolo que não foi martirizado — viveu até cerca dos 90+ anos em Éfeso. Autor (segundo a tradição) do 4º Evangelho, 3 epístolas e do Apocalipse. Tradição oriental o chama “o Teólogo” — título atribuído a ele e a outros 2: Gregório Nazianzeno e Simão o Novo Teólogo.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Festa de São João Apóstolo e Evangelista, que, irmão de Tiago e pescador, juntamente com ele, sendo discípulo do Senhor entre os primeiros, deitou-se sobre o seu peito na ceia, recebeu de Cristo crucificado a Mãe Bem-aventurada, e foi testemunha da ressurreição do Senhor; reclinou-se no descanso de sua morte na cidade de Éfeso, como se diz, em idade muito avançada. Pela sua admirável obra evangélica, escreveu o quarto evangelho, três epístolas e o livro do Apocalipse.
João nos Evangelhos
Família
Filho de Zebedeu (pescador) e Salomé (uma das mulheres ao pé da cruz, possivelmente irmã de Maria). Irmão mais novo de São Tiago Maior (tiago maior). Cristo deu aos dois irmãos o cognome Boanerges (“Filhos do Trovão”, Marcos 3,17) por seu zelo impetuoso.
Discípulo íntimo
João formou com Pedro e Tiago Maior o trio íntimo de Cristo. Estiveram com Ele em: - Ressurreição da filha de Jairo (Mc 5,37). - Transfiguração no Tabor (Mt 17,1). - Agonia no Getsêmani (Mt 26,37).
Discípulo amado
O 4º Evangelho refere-se 5 vezes a “o discípulo que Jesus amava” — identificado pela tradição como o próprio João Evangelista (autor):
- Última Ceia: reclinou-se no peito de Jesus (Jo 13,23-25).
- Crucifixão: o único apóstolo presente ao pé da cruz (Jo 19,25-27). Cristo lhe confiou Sua mãe: “Eis aí tua mãe” — desde então João levou Maria para sua casa. Origem do patrocínio mariano sobre a Igreja toda, simbolizado por João.
- Ressurreição: chegou primeiro ao sepulcro vazio (Jo 20,2-8).
- Mar da Galileia: reconheceu Jesus ressuscitado: “É o Senhor!” (Jo 21,7).
Após Pentecostes
Em Jerusalém
Atos 3-4: João acompanha Pedro nas primeiras pregações em Jerusalém. Acompanha-o ao templo, é preso e libertado.
Concílio de Jerusalém (49 d.C.): presente, mas papel discreto (Pedro e Tiago Menor lideraram).
Tradição: Éfeso
A tradição patrística (Irineu, Eusébio) sustenta que João, após cuidar de Maria por anos, mudou-se para Éfeso (Ásia Menor), onde:
- Liderou a Igreja de Éfeso e as 7 igrejas da Ásia (a quem dirige o Apocalipse 2-3).
- Resistiu ao gnosticismo nascente (Cerinto, primeiros docetas).
- Foi exilado em Patmos (ilha próxima a Éfeso) sob a perseguição de Domiciano (95 d.C.). Lá teria recebido a visão do Apocalipse.
- Voltou a Éfeso após a morte de Domiciano (96).
- Morreu em Éfeso por volta de 100 d.C., com mais de 90 anos. Único apóstolo a morrer de causas naturais.
Tumba em Éfeso até hoje conservada (basílica em ruínas, escavações arqueológicas).
Os escritos joânicos
A tradição cristã atribui a João a autoria de:
1. Quarto Evangelho
Evangelho segundo João — escrito em Éfeso por volta de 90-100. Profundamente teológico, distinto dos sinóticos:
- Prólogo cósmico (1,1-18): “No princípio era o Verbo…” — identifica Cristo como Logos eterno.
- Sinais (semeia): 7 milagres simbólicos.
- Discursos longos com vocabulário simbólico (luz/trevas, vida/morte, amor/ódio).
- Tema unificador: Cristo é Deus encarnado, vem do Pai e volta ao Pai.
- Símbolo evangelístico: águia (que voa alto, como o Verbo eterno).
2. Cartas Joânicas (1, 2 e 3 João)
- 1 João: tratado da fraternidade cristã e do amor (“Deus é amor”).
- 2 e 3 João: cartas breves contra falsos mestres (gnósticos pré-cerintianos).
3. Apocalipse
Apocalipse de João — visões em Patmos durante perseguição de Domiciano. Único livro profético do Novo Testamento. Letras às 7 igrejas da Ásia, visões cósmicas, batalha entre o Cordeiro e o Dragão, Nova Jerusalém celestial.
Lendas
Veneno e a taça envenenada
Tradição: o imperador Domiciano teria tentado envenenar João oferecendo-lhe taça de vinho envenenado. João abençoou a taça, e o veneno saiu na forma de cobra. Daí o ícone tradicional: João com taça e cobra saindo.
Banho de óleo fervente
Outra lenda: foi mergulhado em óleo fervente em Roma — saiu ileso. Comemorada em festa secundária Sancti Iohannis ante Portam Latinam (“São João ante a Porta Latina”) em 6 de maio (suprimida do calendário em 1969).
Posicionamento na Oitava do Natal
A 27 de dezembro está na Oitava do Natal. Composição tradicional dos 4 dias após o Natal:
- 25/12: Cristo nasce (Natal).
- 26/12: Estêvão (mártir de fato e de sangue).
- 27/12: João Evangelista (mártir só de vontade — non fuit martyr operis sed voluntatis, “mártir não da obra mas da vontade”, segundo Agostinho).
- 28/12: Santos Inocentes (mártires de fato mas sem vontade — crianças assassinadas).
Iconografia
- Águia (símbolo evangelístico).
- Taça com cobra (veneno transformado).
- Livro ou rolo do Apocalipse.
- Penas ou cálamo (escritor do evangelho).
- Jovem imberbe (representado mais jovem que outros apóstolos — discípulo amado).
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/12-dezembro/27
- Século: por-seculo/seculo-i · por-seculo/seculo-ii
- País: por-pais/israel-palestina · por-pais/turquia
- Apóstolos:
- Os Doze:
- Evangelistas:
- Oitava do Natal: natal
- Estêvão (véspera): estevao protomartir
- Inocentes (próximo dia): santos inocentes
- Irmão (Tiago Maior): tiago maior
- Mãe (Salomé): salome
- Mãe espiritual (Maria): maria santissima
- Patmos (exílio):
- Apocalipse:
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004

