São Policarpo, bispo e mártir
Policarpo de Esmirna
Também conhecido como Policarpo de Esmirna, Mestre dos Pais, Discípulo de João Apóstolo
Identificação
São Policarpo (c. 69-155) — bispo de Esmirna (Ásia Menor, atual Izmir, Turquia), discípulo direto do apóstolo São João, mestre de São Ireneu de Lyon. Padre Apostólico — segundo geração após os apóstolos. Mártir queimado vivo no anfiteatro de Esmirna em 23 de fevereiro de 155 (ou 156), com cerca de 86 anos. A Passio Sancti Polycarpi é o primeiro relato detalhado de martírio cristão preservado (composto poucos meses após a morte) — modelo da literatura martirial dos primeiros séculos.
Elogio (Martirológio Romano 2004)
Memória de São Policarpo, bispo e mártir, que, discípulo do apóstolo São João, foi bispo de Esmirna; conheceu Inácio de Antioquia; encontrou o papa Aniceto em Roma para tratar da data da Páscoa; e na sua velhice, no anfiteatro de Esmirna, foi queimado e ferido com a espada, coroado pelo martírio.
Vida
Discípulo de São João
Policarpo nasceu por volta de 69 d.C. em Ásia Menor. Discípulo direto do apóstolo São João Evangelista durante os anos de exílio/permanência de João em Éfeso (até a morte de João c. 100).
São Ireneu de Lyon (séc. II), discípulo de Policarpo, escreve:
“Lembro-me bem do que aprendi com Policarpo, e ele falava da sua relação com João e os outros que viram o Senhor. Como tinham gravadas em si as palavras do Senhor, Policarpo as transmitia a nós. […] Pela graça de Deus, conservei essas tradições não em pergaminhos, mas em meu próprio coração.” (Eusébio, HE V, 20, citando Ireneu)
Bispo de Esmirna
Foi bispo de Esmirna durante muitos anos — uma das 7 igrejas da Ásia mencionadas no Apocalipse 2,8-11 (carta a Esmirna).
Encontro com Inácio de Antioquia (107): quando Inácio de Antioquia passava por Esmirna preso a caminho do martírio em Roma, Policarpo o recebeu. Inácio escreveu carta a Policarpo (uma das 7 cartas inacianas) com encorajamento.
Encontro com o papa Aniceto em Roma (c. 154): Policarpo, idoso, viajou a Roma para discutir com o papa Aniceto a questão quartodecimal (data da Páscoa — Ásia Menor celebrava em 14 de Nisan, Roma no domingo seguinte). Sem chegarem a acordo, mas com paz mútua, comemoraram juntos a Eucaristia — modelo de comunhão eclesial apesar de divergências disciplinares.
Martírio (155)
23 de fevereiro de 155 (ou 156): durante perseguição local em Esmirna (sob procônsul Estácio Quadrato, governador de Marco Aurélio), Policarpo foi delatado por escravo. Capturado em casa rural onde se escondia.
Levado ao anfiteatro de Esmirna. O procônsul lhe disse:
“Tem respeito pela tua idade. Jura por César, blasfema contra Cristo, e te liberto.”
Policarpo respondeu com a frase imortal da literatura martirial:
“Há 86 anos eu O sirvo, e em nada me ofendeu. Como posso então blasfemar contra meu Rei e meu Salvador?”
Foi condenado a ser queimado vivo.
Lendário: as chamas formaram um arco em torno dele sem o queimar. O carrasco então transpassou-o com punhal. Sangue extinguiu o fogo.
Comunidade cristã recolheu os ossos e os sepultou. Celebrou aniversário do martírio — primeiro caso documentado de comemoração litúrgica de mártir.
Obras
Carta aos Filipenses
Carta de Policarpo aos Filipenses — único escrito de Policarpo sobreviu integralmente. Escrita em resposta a pedido dos filipenses por cópias das cartas de Inácio de Antioquia (que Policarpo conservava). Documento fundamental do cristianismo do séc. II, citando largamente o Novo Testamento — uma das fontes mais antigas para reconstrução do cânone bíblico.
Outras
Cartas perdidas mencionadas nas fontes (a Marção, a Filipinos, etc).
Passio Sancti Polycarpi
A Passio Sancti Polycarpi (Martyrium Polycarpi), composta logo após a morte pela comunidade de Esmirna numa carta às outras igrejas:
- Primeiro relato detalhado de martírio cristão preservado.
- Inspirou o gênero da literatura martirial dos sécs. II-IV.
- Texto fundador da hagiografia cristã.
Características: - Detalhes históricos precisos: data, governador, procurador, contexto social. - Paralelismo com a Paixão de Cristo explicitamente estabelecido. - Ênfase na liberdade do mártir: Policarpo recusa fugir adicionalmente, vai espontaneamente ao martírio.
Discípulos
Policarpo formou: - São Ireneu de Lyon (c. 130-202) — Padre da Igreja, doutor; transmitiu a tradição apostólica que recebeu de Policarpo. - São Pápias de Hierápolis: discípulo coevo, deixou comentários sobre tradições orais.
A cadeia apostólica direta João Apóstolo → Policarpo → Ireneu é uma das mais citadas pelos teólogos da sucessão apostólica.
Iconografia
- Vestes episcopais antigas.
- Idoso barbudo com cabelos brancos.
- Chamas ao redor ou no fundo.
- Punhal (espada do martírio).
- Livro do Evangelho.
Backlinks
- Dia litúrgico: por-data/02-fevereiro/23
- Século: por-seculo/seculo-i · por-seculo/seculo-ii
- País: por-pais/turquia
- Padres da Igreja:
- Padres Apostólicos:
- Mestre: joao evangelista
- Discípulo: ireneu de lyon
- Companheiro: inacio de antioquia
- 7 Igrejas da Ásia (Apocalipse):
- Cadeia apostólica: João → Policarpo → Ireneu
- Fonte: _fontes/martirologio-romano-2004

