Santa Edviges, religiosa
Edviges de Silésia
Também conhecido como Hedviges, Hedwige de Andechs, Duquesa da Silésia
Identificação
Santa Edviges (Hedwig de Andechs, c. 1174-1243) — duquesa da Silésia e da Polônia, viúva do duque Henrique I, o Barbudo, que após décadas de vida conjugal consagrada à continência se retirou junto ao mosteiro cisterciense de Trebnitz (Trzebnica), por ela mesma fundado, do qual sua filha Gertrudes foi abadessa. Tia de Santa Isabel da Turíngia (filha de sua irmã Gertrudes, rainha da Hungria). Não confundir com Santa Edviges (Jadwiga) da Polônia, rainha canonizada, celebrada em 17 de julho — figura distinta, posterior (†1399).
Vida
Família e juventude
Filha de Bertoldo de Andechs, marquês de Meran, conde do Tirol e duque da Caríntia e da Ístria, e de Inês, filha do conde de Rotlech, Edviges nasceu por volta de 1174 em Andechs, na Baviera. Foi a quinta de oito filhos: dois irmãos tornaram-se bispos (Bertoldo, patriarca de Aquileia, e Erberto, bispo de Bamberg); as irmãs foram Inês (esposa de Filipe Augusto, rei da França), Gertrudes (rainha da Hungria, mãe de Santa Isabel da Turíngia) e uma quarta, abadessa em Lutzing.
Educada desde criança no mosteiro beneditino de Lutzing, na Francônia, aprendeu ali as letras sagradas. Aos doze anos foi dada em casamento a Henrique, duque da Silésia e depois também da Polônia.
Vida conjugal e continência
Ainda no matrimônio, Edviges viveu com austeridade crescente. Desde a primeira gravidez, aos treze anos, combinava com o marido períodos de separação até o parto; observava também abstinência no Advento, na Quaresma e nos dias santos. Depois de terem seis filhos, o casal, com a bênção do bispo, fez voto de continência perpétua e viveu cerca de trinta anos em separação doméstica, vendo-se raramente e sempre na presença de testemunhas, para não escandalizar os mais fracos. O próprio duque Henrique passou a viver como religioso, sem professar, deixando crescer a barba à maneira dos irmãos conversos monásticos — daí o cognome de “Henrique, o Barbudo”.
Fundação de Trebnitz
Por persuasão de Edviges, o duque fundou em Trebnitz, junto a Breslau (Wrocław), na Silésia, um mosteiro de religiosas da Ordem de Cister, cuja primeira abadessa foi Petrissa, antiga preceptora de Edviges, trazida de Bamberg com outras religiosas. A inauguração ocorreu em 1203; a consagração da igreja, em 1219. Edviges reuniu ali numerosas religiosas e ofereceu a Deus a própria filha Gertrudes, que depois foi abadessa do mosteiro. Educou jovens da nobreza, encaminhando algumas à vida monástica e casando as demais.
Mesmo em vida do marido, recolhia-se com frequência ao mosteiro, dormindo no dormitório das religiosas; após a morte do duque, em 1238, instalou-se definitivamente junto a Trebnitz — sem professar, para conservar liberdade de socorrer os pobres com seus próprios bens — e vestiu o hábito religioso, consolando as monjas abaladas pela perda do duque.
Austeridade e caridade
Segundo o relato de Rohrbacher, Edviges praticou abstinência de carne por cerca de quarenta anos, apesar dos pedidos e censuras de seu próprio irmão, o bispo de Bamberg — até que Guilherme, bispo de Módena e legado da Santa Sé, de visita à Polônia, encontrando-a doente, a obrigou por obediência a comer carne. Alimentava-se com peixe e laticínios aos domingos, terças e quintas; legumes secos às segundas e sábados; pão e água às terças e sextas. Reduziu suas vestes ao essencial, andava descalça mesmo no frio, trazia cilício de crina e se disciplinava até sangrar. Fundou vários albergues (hospitais) para o socorro dos pobres — fato registrado no próprio elogio do Martirológio Romano.
Morte
Prevendo a proximidade da própria morte, fez questão de receber a extrema-unção antes de adoecer. Faleceu em 15 de outubro de 1243, em Trebnitz. Havia determinado ser sepultada no cemitério das religiosas, mas a abadessa (sua filha Gertrudes) mandou colocá-la na igreja, diante do altar principal, contra o desejo expresso da própria Edviges.
Canonização
Em razão dos numerosos milagres relatados junto ao seu túmulo, o bispo e os duques da Polônia solicitaram à Santa Sé a canonização de Edviges, realizada pelo papa Clemente IV em 26 de março de 1267. No calendário histórico, sua festa foi fixada por Inocêncio IX em 17 de outubro; no Martirológio Romano atual (2004), sua memória facultativa está em 16 de outubro, véspera do dia de sua morte.
Elogio do Martirológio Romano (2004)
Santa Edviges, religiosa, natural da Baviera e duquesa da Silésia, que se dedicou generosamente ao auxílio dos pobres, para os quais fundou vários albergues e, depois da morte do seu esposo, o duque Henrique, se retirou num mosteiro de monjas cistercienses que ela própria tinha fundado e de que era abadessa sua filha Gertrudes, onde passou activamente o resto dos seus dias. Morreu em Trebnitz, na Polônia, no dia quinze de Outubro.
Fontes
- Martirologio Romano 2004 (Editrice Vaticana) — elogio latim/PT/IT conforme
por-data/10-outubro/16.md. - Padre Rohrbacher, Vidas dos Santos, vol. 18 — verbete “Santa Hedviges”, 17 de outubro (edição histórica pré-reforma do calendário).
martirologio_ind.txt— confirmação cruzada: “Edviges, Trebnitz, mem.: 16 Out., 1; pass.: 15 [Out.] (1243)”, distinta de “Edviges, Cracóvia, 17 Jul., 14 (1399)” (Rainha Jadwiga da Polônia).
Backlinks
- Dia litúrgico: ../por-data/10-outubro/16
- Século: ../por-seculo/seculo-xiii
- País: ../por-pais/polonia · ../por-pais/alemanha
- Categoria: ../grupos/fundadoras · ../grupos/viuvas-santas
- Sobrinha (filha da irmã Gertrudes): ../por-santo/isabel-da-hungria (Santa Isabel da Turíngia)
- Distinção de homônima: Santa Edviges (Jadwiga) da Polônia, rainha, 17 de julho (†1399) — ficha distinta
- Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004
