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São Tomás de Vilanova

Identificação

São Tomás de Vilanova, religioso da Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho e arcebispo de Valência, na Espanha, nasceu em 1488 em Fuenllana, na diocese de Toledo, filho de Afonso Tomás Gascilas de Vilanova e de Lúcia Martinez. Morreu em Valência a 8 de setembro de 1555, dia da Natividade de Nossa Senhora, aos sessenta e sete anos de idade e no décimo primeiro do seu episcopado. Foi beatificado em 1618 pelo Papa São Paulo V e canonizado em 1658 pelo Papa Alexandre VII.

Vida

Rohrbacher descreve os pais de São Tomás como modelo de caridade cristã: o pai, Afonso, distribuía aos necessitados o rendimento de um moinho e emprestava trigo aos camponeses pobres sem quase nunca cobrar a dívida; a mãe, Lúcia, rezava horas fixas em capela própria, jejuava às sextas-feiras e trabalhava com as próprias mãos para os pobres. São Tomás, o filho mais velho, herdou desde a infância essa mesma generosidade: repartia o próprio almoço com colegas pobres na escola, chegava a voltar para casa sem casaco, colete, chapéu ou sapatos por tê-los dado a mendigos, e certa vez, não havendo mais pão em casa para dar de esmola, distribuiu aos pobres que bateram à porta os frangos da família.

Aos quinze anos foi para a Universidade de Alcalá, onde se destacou a ponto de ser incorporado ao Colégio de Santo Ildefonso como professor de filosofia e teologia, e depois chamado a lecionar em Salamanca. À morte do pai, distribuiu a herança aos pobres e transformou a própria casa em hospital. Aos vinte e oito anos, em 1516, tomou o hábito na Ordem dos Ermitas de Santo Agostinho em Salamanca — no mesmo ano, segundo Rohrbacher observa com ironia histórica, em que outro agostinho, Martinho Lutero, iniciava a apostasia que dividiria a Alemanha, enquanto São Tomás “edificava e santificava” a Espanha. Fez profissão religiosa em 1517 e foi ordenado sacerdote em 1520, celebrando a primeira missa na noite de Natal com tamanho fervor que os presentes o viram cair em êxtase.

Foi sucessivamente prior em Salamanca, Burgos e Valladolid, e provincial da Andaluzia (duas vezes) e de Castela. Como prior de Valladolid, foi escolhido pelo imperador Carlos V para intermediar o perdão de nobres condenados à morte — obtendo a graça com tal facilidade que o próprio Imperador comentou à corte: “Não vos admireis de que tenha concedido a graça aos culpados por intermédio do Prior dos Agostinhos: ele não pede, manda, e verga os corações.” Formou na sua ordem religiosos que enviou como missionários ao México. Em 1534, indicado por Carlos V para o arcebispado de Granada, recusou com tanta insistência que conseguiu ser dispensado. Dez anos depois, em 1544, o nome de São Tomás apareceu — para surpresa do próprio Imperador, que não pretendia indicá-lo por conhecer sua repulsa a honrarias — no diploma de nomeação para o arcebispado de Valência; Carlos V reconheceu o episódio como sinal da Providência e manteve a nomeação.

Como arcebispo, São Tomás de Vilanova conservou o hábito monástico, que ele mesmo remendava, e dedicou-se com ardor à reforma do clero e à caridade com os pobres — ao ponto, registra o Martirológio Romano, de “dar tudo aos necessitados, sem ficar sequer com um pequeno leito para si”. Corrigia clérigos de vida pouco edificante com paciência e humildade, chegando a flagelar-se diante deles, prostrado ante o crucifixo, dizendo que a culpa pela obstinação deles era sua própria falta de exemplo — gesto que costumava comovê-los ao ponto da conversão.

Na morte, distribuiu tudo o que possuía aos pobres antes de receber a extrema-unção; mandou que lessem a Paixão segundo São João e, durante a missa, ao entoar o Nunc dimittis, entregou a alma dizendo: “Senhor, em vossas mãos entrego a minha alma.” Foi sepultado no convento dos agostinhos onde pedira hospitalidade antes de entrar em Valência, conforme seu desejo.

Elogio do Martirológio

Em Valência, na Espanha, São Tomás de Vilanova, bispo, que, sendo eremita sob a regra de Santo Agostinho, aceitou por obediência o ministério episcopal, onde se distinguiu, entre outras virtudes pastorais, pelo seu ardente amor aos pobres, até ao ponto de dar tudo aos necessitados, sem ficar sequer com um pequeno leito para si.

Fontes

  • Martirológio Romano 2004 (Editrice Vaticana), 8 de setembro, ordem 9 — por-data/09-setembro/08.md.
  • Índice alfabético do Martirológio Romano 2004 (martirologio_ind.txt), entrada “Tomás de Vilanova, Valência, 8 Set., 9 (1555)”.
  • Padre Rohrbacher, Vidas dos Santos (vol. 16), capítulo “São Tomás de Vilanova” — biografia completa (infância, ingresso na Ordem de Santo Agostinho, priorados, recusa do arcebispado de Granada, arcebispado de Valência, morte em 8 de setembro de 1555, beatificação 1618, canonização 1658), com notas de fonte “Acta SS., 8 sept.” e “Acta SS., 18 sept.”
  • Pré-1900 (falecido 1555, canonizado 1658): apenas fonte impressa (Rohrbacher) foi usada, sem consulta web, conforme protocolo P4.

Backlinks

  • Dia litúrgico: ../por-data/09-setembro/08
  • Fonte: ../_fontes/martirologio-romano-2004

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